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Palestra "TDAH: Mitos e Verdade" mobiliza educadores da região do Vale do Caí

Palestra TDAH: Mitos e Verdades.

Cerca de 150 pessoas participaram da palestra "TDAH: Mitos e Verdades", promovida pelo Núcleo de Apoio às Pessoas com Necessidades Educacionais Específicas (Napne) do Câmpus Feliz. O evento, realizado em parceria com o Colégio Professor Jacob Milton Bennemann, ocorreu no dia 20/03 e teve como palestrantes a coordenadora brasileira da Liga Latinoamericana para o estudo do TDAH, Elnora de Paiva Ayres, e o psicólogo e supervisor do Ambulatório de Neuropsicologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Sergio Duarte Junior.

Em sua fala, Elnora explicou que o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) não é uma doença inventada. É uma patologia que tem base neurobiológica, geneticamente detectada, com início na infância e que, frequentemente, acompanha o indivíduo por toda a vida.

Os principais sintomas do TDAH são: desatenção, hiperatividade e impulsividade. De acordo com a neuropsiquiatra, o primeiro passo para identificar se há ou não sintoma de TDAH é avaliar se o comportamento em questão é o esperado. Além disso, é fundamental uma análise desde a gestação até o presente do indivíduo, histórico familiar e rotinas. Elnora destacou que a criança deve ser ouvida, assim como a escola.

Quanto aos riscos de não tratar o TDAH, a doutora informou que até os seis anos não há grandes complicações. Ao perceber os colegas, um aluno com a patologia terá prejuízo na autoestima, piorando o seu desempenho escolar. Na adolescência, as dificuldades serão maiores, pois surgem os comportamentos de riscos (gravidez, crimes, uso de substâncias tóxicas, falta de motivação, exclusão escolar, etc.). "Uma vez feito o diagnóstico de TDAH e a avaliação das doenças associadas, o tratamento deve iniciar o mais rápido possível a fim de ter menos prejuízos", disse.

No adulto, conforme a doutora, os sintomas se modificam: surgem os riscos financeiros devido à falta de planejamento; ele está sempre em altos e baixos; perde a memória; vive em desorganização constante; tem o sono inadequado; não aprende com os erros; tem necessidade constante de mudanças; não sabe lidar com o tempo; etc. "O mundo atual não é um mundo para quem tem TDAH, porque as exigências de estar ligado, conectado, estar sempre em dia e sempre ser o melhor possível", alega.

Segundo explicou Sergio, as funções executivas (que regulam a interação social, adequam o comportamento) em uma criança com TDHA são alteradas e isso afeta sua noção de tempo, não conseguindo iniciar e concluir uma tarefa, além de não ter habilidade para planejar uma rotina. Para melhor conduzir o aluno na organização e realização da atividade é preciso que o professor saiba como é o seu modelo basilar, visto que cada pessoa percebe determinado conteúdo de forma diferente.

Elnora ainda destacou que o diagnóstico diferencial é fundamental para que se identifique ou se elimine a possibilidade de outras doenças a fim de aplicar o tratamento adequado, de modo que não intensifique alguns sintomas do TDAH. Lembrou ainda que o tratamento não é só medicamentoso e que, caso seja só o TDAH, os remédios têm efeito imediato. Para ela, o envolvimento da família é essencial, pois as pessoas próximas precisam entender a doença e manter os médicos informados sobre os sintomas colaterais.

Como dica para os professores, Elnora indica uma postura de acolhimento e entendimento, com exigências específicas para quem tem TDAH. Ainda sugere estímulo, recompensa, redução do número de tarefas (uma por vez) e adaptação do material pedagógico. Para os pais, paciência para conseguir organizar rotinas claras, recompensas (elogios) a cada atividade executada, estabelecer prioridades e organizar o local de estudo.

Na abertura do evento, a diretora do turno da noite da instituição anfitriã, Marli Flach, deu boas-vindas e destacou a satisfação em estabelecer parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do RS ao sediar uma palestra com um assunto tão importante para os educadores. A professora Vivian Treichel Giesel, como diretora-geral substituta do Câmpus Feliz, também ressaltou a importância da cooperação com o Colégio Prof. Jacob Milton Bennemann e ao Napne pela realização da ação. Ainda lembrou que o Câmpus está ampliando sua infraestrutura e quadro de servidores e com isso outros eventos como a palestra "TDAH: Mitos e Verdades" serão possíveis.

A presidente do Napen, professora Paula Biegelmeier Leão, destacou que o núcleo visa a promover a cultura da educação para a convivência, aceitação e respeito à diversidade, e que o Programa de Ações Afirmativas 2014 busca integrar os diversos segmentos que compõem a comunidade, propiciando um sentimento de corresponsabilidade na construção da ação educativa de inclusão e objetiva, também, promover capacitações relacionadas à inclusão de pessoas com necessidades educacionais específicas, como a proposta daquela noite.

O diretor-geral do Câmpus Feliz, Giovani Forgiarini Aiub, encerrou o evento agradecendo ao diretor do Colégio Bennemann, Edson Pedrotti, pela parceria, assim como a todos que participaram e se envolveram na organização da atividade.

Além de docentes de diversas cidades do Vale do Caí, participaram da palestra as representantes da Pró-reitoria de Extensão do IFRS: Josiane Krebs e Andréa Poletto Sonza, e da Pró-reitoria de Ensino do IFRS: Margaret Quevedo e Greicimara Ferrari.

Outras fotografias estão disponíveis no perfil do Facebook do Câmpus Feliz. Clique aqui para acessá-lo.

Galeria

Presidente do Napne, Paula Leão. Palestra TDAH: Mitos e Verdades Diretora da noite do Colégio Professor Jacob Milton Bennemann, Maria Marli Flach Diretora-geral substituta do Câmpus Feliz, Vivian Treichel Giesel Palestrante Elnora de Paiva Ayres Palestrante Sergio Duarte Junior Palestra TDAH: Mitos e Verdades Palestra TDAH: Mitos e Verdades Palestra TDAH: Mitos e Verdades Palestra TDAH: Mitos e Verdades Diretor-geral do Câmpus Feliz, Giovani Forgiarini Aiub

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